CONTO: REGULAR COFFEE

“Salió y se ha puesto a la venta el rico y delicioso Regular Coffee”

Roberto Imbriaco levantou a lapela de seu casaco e andou em direção ao porto. O pouquíssimo dinheiro que era dedicado a uma dieta literalmente a base de água e pão tinha chegado ao fim. Suportar a próxima metade de um dos invernos mais cruéis do século, seria impossível consumindo tão poucas calorias. Portanto, tinha chegado a hora de voltar para sua terra natal, lá poderia morrer de tédio mas nunca de fome e também voltaria a ser chamado de Beto e não mais de Bob como faziam seus companheiros de “Car wash”. Embarcaria essa mesma noite num moderníssimo navio de carga dinamarquês, onde ficaria encarregado de tirar o sal acumulado nos containers, um trabalho mais do que esgotador mas que pagaria sua viagem.Já próximo ao porto decidiu se sentar num banco de uma pequena praça. Enquanto observaba o intenso azul do céu (que por intervalos era embaçado pelo vapor de sua respiração), se perguntou como seu corpo ainda era capaz de produzir energia comsumindo tão poucas calorias. Decidiu continuar rumo ao porto, porém no momento em que se levantava, um forte brilho o cegou; no primeiro instante pensou que fosse o brilho do sol refletindo em algum guindaste do porto, mas não, o intenso brilho vinha de um terreno baldio vizinho á praça. Protegeu a vista com a mão e caminhou em direção à fonte luminosa, percebeu que o brilho era causado pelo reflexo dos raios de sol sobre uma antiga máquina de café abandonada, mas que se encontrava em perfeito estado de conservação, ao lado se encontravam espalhadas uma dezena de caixas de café e mais de uma centena de copos plásticos. Algumas das caixas haviam esparramados café onde tinham crescido estranhas flores de cor turquesa. Roberto Imbríaco em seguida foi até o bar mais próximo e pediu um pouco de água quente, voltou para o terreno baldio e elaborou um “rico y delicioso” café. Enquanto bebia um homem se aproximou e lhe pediu um copo de café, gentilmente Imbríaco lhe serviu um, o homem elogiou muito o sabor e quando quis pagar, Imbríaco lhe disse que não era nada. Em seguida mais duas pessoas, atraidas pelo cheiro se aproximaram querendo café, mais tarde havia uma longa fila de pessoas, mas nesse momento o café já não era mais de graça, o copinhop simples custava 20 centavos e o duplo 45 centavos.

Enquanto a voz de Imbríaco cantava repetidamente “Salió y se ha puesto a la venta el rico y delicioso Regular Coffee”, o barulho de uma sirene vindo do porto o interrompeu, lá ;longe viu a bandeira da Dinamarca estampada em uma das chaminés de um navio cargueiro que partia lentamente. Para que? A essa altura, os bolsos da única calça que usava durante meses seguidos, já estavam abarrotados de centavos.

Assim começou uma história que todos já conhecem...